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    Adoção tardia


    Amor sem idade: projeto do Amazonas incentiva adoção tardia

    Em um ano de funcionamento, o projeto 'Encontrar Alguém' já viabilizou cinco adoções de crianças mais velhas e adolescentes

    Ilka, Patrícia, Isac, Isais e Zaqueu: família construída com ajuda do projeto 'Encontrar Alguém'. | Foto: Reprodução

    Manaus -  A servidora Ilka de Lima, 41, e a empreendedora Patrícia Machado, 41, sempre desejaram ser mães. Esse sonho começou a virar realidade em outubro de 2018, quando viram os irmãos Isac, 9, Isaías,7, e Zaqueu, 4, pela primeira vez. O encontro da nova família aconteceu com a ajuda do projeto ‘Encontrar Alguém’, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que incentiva a adoção de crianças de difícil colocação no Estado por não se encaixarem no perfil normalmente indicado pelos adotantes. 

    De acordo com dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), há 4,9 mil crianças esperando um novo lar no Brasil. O número de pretendentes à adoção é muito maior: 42,5 mil no país todo. O problema da falta de adoção está justamente no perfil de crianças procurado pelas famílias: 62% não aceitam adotar grupos de irmãos, enquanto 51,76% não aceitam crianças com nenhum tipo de doença. Mais de 75% procuram crianças na faixa etária de 0 a 5 anos. O perfil desejado corresponde a menos de 7% das crianças à procura de uma nova família.

    Segundo informações  do projeto ‘Encontrar Alguém’, existem 42 crianças e adolescentes elegíveis à adoção em Manaus. Dessas, 35 estão inseridos no projeto liderado pela Coordenadoria da Infância e da Juventude (Coij/TJAM). É para estimular a adoção tardia, ou seja, de crianças mais velhas e adolescentes, fora do perfil mais procurado, que o ‘Encontrar Alguém’ nasceu. 

    Com amor e paciência, Ilka, Patrícia e os meninos aprendem a ser uma família
    Com amor e paciência, Ilka, Patrícia e os meninos aprendem a ser uma família | Foto: Reprodução
     

    Construindo o amor 

    Ilka e Patrícia moram em Recife. Então o primeiro contato com as crianças foi por videoconferência. Em novembro do ano passado, com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar do TJAM, houve o primeiro encontro ao vivo. “Foi um sentimento diferente. Não sei te explicar ao certo aquela emoção que a gente sentiu na hora”, recorda Ilka. A aproximação continuou até que, em janeiro deste ano, o casal teve permissão de levar as crianças para Recife. 

    Desde então, Ilka, Patrícia e os meninos estão aprendendo a ser uma família. “Nós acreditamos que o amor é construído no dia a dia, quando vamos plantando a sementinha e vendo ela crescer e brotar”, diz o casal.

    Segundos as novas mamães, os desafios de criar os pequenos são diários, mas é um processo que vale a pena. “Nós nunca fomos mães e eles também nunca foram filhos. Educar é um processo bastante trabalhoso, mas a gente acredita que é possível”, conta Ilka.

    “A melhor parte é poder enxergar neles o poder transformador do amor, da família unida. Sentir a alegria e a realização por estarmos juntos e felizes. Isso é o mais importante. Percebemos que a gente se completa e assim vamos construindo nossa família por meio da convivência e do amor recíproco”, declaram. 

    Ilka e Patrícia têm muitos planos para os futuros dos filhos, mas desejam principalmente que eles cresçam bem. “Esperamos cumprir com nosso papel de mãe, de educar, de ensinar, que é preciso acreditar em Deus, que entendam o verdadeiro sentido da vida por meio do amor ao próximo, da solidariedade, da honestidade e que eles consigam ser pessoas de bem”, sonham. 

    O processo continua a ser acompanhado pelo TJAM junto com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Ilka e Patrícia esperam concluir a adoção até o final de 2019. 

    Após anos vivendo em um abrigo, os irmãos encontraram um novo lar
    Após anos vivendo em um abrigo, os irmãos encontraram um novo lar | Foto: Reprodução
     

    O projeto

    O ‘Encontrar Alguém’ contempla crianças e/ou adolescentes em acolhimento institucional e que não foram inseridos em família substituta, por razões de idade, condição de saúde e outros. A iniciativa busca proporcionar uma vida em família, um lar saudável e livre da institucionalização para esses jovens.

    O projeto divulga, de forma responsável e padronizada, imagens e informações sobre as crianças e adolescentes inseridos no CNA sem perspectiva de adotantes pretendentes. O ‘Encontrar Alguém’ tem o apoio das oito unidades de acolhimento de Manaus e do Grupo de Apoio aos Pais Adotivos do Amazonas (GAPAM).

    O tempo para a conclusão do processo de adoção depende de cada caso. Fatores como a habilitação da família pretendente, a localização e residência são considerados. “Para cada situação se adota um procedimento específico no trâmite judicial. Não há um tempo preestabelecido, depende de cada situação, se a família é habilitada ou não, se é do Estado ou não, dentre outros fatores”, explica o projeto.

    Desempenho

    Com um ano de funcionamento, a avaliação do projeto ‘Encontrar Alguém’ é positiva. “Ele está oportunizando a essas crianças e adolescentes um lar, uma família, extremamente necessária para o seu pleno desenvolvimento, oportunizando a elas o direito à convivência familiar e comunitária”, diz a Coij. 

    Já foram sete processos de adoção viabilizados pelo ‘Encontrar Alguém’. Destes, dois envolvem grupos com quatro irmãos; um referente a um grupo com seis irmãos; e três de uma criança apenas. Ao todo, 17 crianças e adolescentes encontraram um novo lar e uma nova família com o auxílio do projeto. 

    Para o futuro, a Coij deseja ampliar o ‘Encontrar Alguém’ para o resto do Amazonas, contribuir com a redução do tempo de crianças e adolescentes nos serviços de acolhimento e ampliar as parcerias para divulgação do projeto. Além disso, incentivar as famílias para que se habilitem para um perfil de adoção mais abrangente. “Nosso desejo é que a sociedade compreenda que a adoção não é caridade, mas um sentimento de ter um filho(a), ser pai e/ou mãe”, resume a Coordenadoria.. 

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