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    Aplicativos de Corrida


    'Motorista de aplicativo' virou profissão do perigo em Manaus

    Pelo menos 10 casos entre homicídios, assaltos, sequestros e agressões contra motoristas de aplicativos da capital foram noticiados pelo Portal EM TEMPO

    Caso expõe o medo ao qual estão submetidos os motoristas
    Caso expõe o medo ao qual estão submetidos os motoristas | Foto: Izaias Godinho
     

    Manaus - Abandonado no ramal Pai Eterno, na estrada do ramal do Brasileirinho, bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus, na última sexta-feira (6) setembro,

    Higson Cavalcante Ramos pediu de joelhos para não ser morto, mas foi esfaqueado no peito. Mesmo ferido tentou fugir, mas caiu morto.

    O caso expõe o medo ao qual estão submetidos os motoristas que trabalham conduzindo passageiros por meio de aplicativos. Embora seja necessário ter coragem para enfrentar os perigos do lado de fora e do lado de dentro do carro, eles continuam circulando pela cidade pela necessidade financeira, mas pedem mais segurança.

    O presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos de Manaus, Alexandre Matias explica que a taxa de cancelamento de corridas pelas plataformas é um dos impedimentos para que os motoristas recusem corridas consideradas de alto risco. “O ideal seria remover a taxa de cancelamento de corridas do motorista que dirige em média de 8 a 14 horas por dia e pode recusar aproximadamente quatro corridas para não ser suspenso ou banido do aplicativo”.

    Outro fator relatado por Matias é a falta da confirmação da identidade do passageiro, que às vezes, podem solicitar corridas por terceiros. “A maioria dos assaltos que acontecem são solicitadas por pessoas que não estão cadastradas no aplicativo. O motorista leva uma pessoa que não conhece e que não tem seus dados para confirmar a identidade”

    Rafael Serruya, motorista de aplicativo, afirma que os recursos de segurança disponibilizados pelas plataformas são ineficientes em uma situação de perigo. “O botão de segurança apenas realiza uma ligação telefônica para o 190, e se a pessoa estiver rendida não tem como fazer a chamada. ”

    Serryua ainda afirma que a ‘solução’ adotada pelos próprios motoristas é utilizar aplicativos de comunicação e rastreamento independentes para tornar as viagens menos inseguras. “Fazemos grupos entre os parceiros e nos comunicamos entre nós, informando a origem e o destino das corridas aceitas”.

    Resposta

    Os perigos enfrentados pela categoria são originados por assaltos, sequestros e até latrocínios durante as corridas.
    Os perigos enfrentados pela categoria são originados por assaltos, sequestros e até latrocínios durante as corridas. | Foto: Divulgação
     

    O Portal EM TEMPO entrou para saber o que as empresas estão fazendo para garantir mais segurança aos motoristas, em nota a 99 informa que entre as formas de suporte disponíveis para os motoristas está na utilização de uma inteligência artificial que analisa todas as viagens e pode prever crimes por meio de um algoritmo que verifica padrões de comportamento de pessoas mal-intencionadas.

    Identificando padrões associados a incidentes relacionados a assaltos como horário, modo de pagamento e histórico do usuário. E realiza o bloqueio automático ou a validação adicional de identidade, pedindo dados como data de nascimento, CPF e cartão bancário, quando necessário.

    Outra medida informada pela empresa trata-se do mapeamento de áreas de risco da cidade, com um levantamento feito por estatísticas internas do aplicativo e dados externos das Secretarias de Segurança Pública.

    Segundo a 99, essas soluções reduziram o volume de ocorrências em 63% na cidade de Manaus. 

    O Portal EM TEMPO entrou em contato com Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP), solicitando dados sobre casos de violência contra motoristas de aplicativo, mas até o momento não teve resposta. Entretanto, no período entre 1 de janeiro de 2019 até a última sexta-feira (6), foram noticiados pelo Portal EM TEMPO um total de 10 casos entre homicídios, assaltos, sequestros e agressões contra motoristas de aplicativos da capital.

    É o caso do corpo encontrado esquartejado em uma área de mata do motorista de transporte por aplicativos Ulisses Brasil Nogueira Júnior, de 25 anos, na avenida do Turismo, no bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus. O caso ocorreu no dia 22 de agosto.

    Outro caso ocorreu no dia 26 de agosto. Três homens foram presos após sequestrarem um motorista de aplicativo e realizarem diversos assaltos na Zona Norte de Manaus. Os homens só foram capturados na avenida Francisco Queiroz, no bairro Manôa, após perseguição policial.

    No dia 27 de julho um motorista de aplicativo, de 26 anos, foi assaltado e colocado dentro do porta-malas do próprio veículo após aceitar uma corrida em um shopping, localizado na Zona Norte de Manaus. Os policiais da 15ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) afirmaram que os suspeitos realizavam roubos com o veículo do condutor.

    Vereador apresenta projeto para garantir segurança aos motoristas 

    O vereador Chico Preto informou na Câmara Municipal de Manaus (CMM), na segunda-feira (9), que apresentará um projeto para alterar a Lei do Transporte por Aplicativo na cidade (lei nº 2.468/2019), a fim de criar um instrumento dentro da plataforma que possibilite aos motoristas terem acesso às informações dos clientes.

    “Esse caso gerou uma comoção muito grande na cidade de Manaus e não poderia passar despercebido por mim, porque lembro-me da discussão em torno da regulamentação dos aplicativos onde aqui na CMM pude defender a necessidade da criação de um instrumento para que o motorista tenha a possibilidade de reconhecer a face do seu passageiro. Hoje isso não é permitido ao motorista. A segurança que é um direito do passageiro não é do motorista. As empresas alegam coisas que não me convencem e não permitem que os motoristas reconheçam e optem por pegar ou não quem faz a solicitação de corrida”, destacou.

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