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    Denúncia


    Hospital Santa Júlia nega denúncias sobre condições de trabalho

    O Hospital Santa Júlia reforça que as regras e condições específicas para a jornada de plantão estabelecidas pela Convenção Coletiva de Trabalho são cumpridas pela instituição.

    Funcionário denunciaram que trabalham 12 horas seguidas, sem direito ao intervalo | Foto: Izaías Godinho

    Manaus -  Após denúncias de funcionários que atuavam no Hospital Santa Júlia , localizado no bairro Centro, Zona Sul de Manaus, sobre condições de trabalho no local, em matéria publicada na última segunda-feira ( 28), pelo Portal EM TEMPO,  a unidade hospitalar posicionou-se por meio de nota,  nesta terça-feira  e negou que haja más condições de trabalho na unidade hospitalar. 

    Entenda o caso:

    De acordo com um trabalhador, que preferiu não revelar a identidade, os colaboradores estariam descansando de forma escondida e utilizando-se de papelões para forrar o chão. De acordo com ele, diferentemente de outros setores, as farmácias da unidade não possuiriam local de descanso. Segundo a empresa, a informação não procede, pois há lugares adequados para tal, dentro do próprio hospital. 

    Os trabalhadores descansam de maneira escondida e utilizam papelões para forrar o chão
    Os trabalhadores descansam de maneira escondida e utilizam papelões para forrar o chão | Foto: Reprodução

    Ainda conforme a denúncia, as funcionárias grávidas estariam sendo prejudicadas durante o plantão noturno, por ausência de alimentação.

    O servidor reclamante afirmou, ainda, que o refeitório funciona até às 22h, e o plantão dura até às 7h, e, segundo ele, na lacuna desse período, os trabalhadores não podem se alimentar.

    Conforme a empresa a informação é equivocada,  pois até às 22 h, enquanto o refeitório permanece aberto, todos os funcionários estão autorizados a se alimentarem, conforme normas estabelecidas. 

    O denunciante disse também que há trabalhadores que prestam serviços em setores insalubres, como exemplo na farmácia satélite do Centro Cirúrgico. "Esses servidores nunca receberam por insalubridade ou periculosidade, em razão do contato com materiais contaminados durante o turno de trabalho", afirmou. 

    Outro lado: 

    Portal Em Tempo esteve na unidade hospitalar, na última segunda-feira (28), e conversou com os responsáveis pelo setor de Recursos Humanos (RH), que comunicou à reportagem que nas farmácias de cinco setores do Hospital Santa Júlia, incluindo o Centro Cirúrgico e a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), há beliches e local para descanso.

    Além disso, o RH reafirmou que os funcionários noturnos entram no local às 19h e são liberados às 7h. Neste período possuem sim acesso à alimentação, visto que o refeitório é fechado às 22h.

    Ao serem questionados sobre as razões que teriam motivado os funcionários a denunciarem o caso, o RH afirmou que desconhece. No entanto, segundo eles, existe a possibilidade de ser uma agitação por disputa por cargo.  Diante disso, nenhuma providência seria tomada sobre as reclamações.

    Hospital divulga novo posicionamento

    Nesta terça-feira (29), após a repercussão da matéria, a unidade hospitalar decidiu se pronunciar por meio de e-mail e refutou todas as denúncias.

    No conteúdo enviado em nota, o Hospital ressalta que segue as regras e condições específicas para a jornada de plantão estabelecidas pela Convenção Coletiva de Trabalho e que todas são cumpridas pela instituição. 

    Embora a reportagem não tenha revelado as fontes denunciantes para a produção do conteúdo,  a unidade afirma, que se trata de um ex-funcionário farmacêutico, desligado durante o período de experiência, ainda este mês.

    De acordo com a empresa, o ex-colaborador foi desligado por negligência, por não estar monitorando as rotina de plantões, incluindo o descanso e o jantar da equipe, pela qual era responsável.

    Prática não autorizada pela empresa

    Quanto à utilização de papelões para forrar o chão, como forma de cama improvisada para descanso, a unidade se manifestou dizendo que "alguns funcionários adotavam essa prática de maneira escondida, com a conivência do farmacêutico desligado".

    Ainda segundo a instituição, o ex-colaborador também adotava tal comportamento de duas a quatro horas de descanso, enquanto o correto, segundo a administração, seria apenas uma hora. 

    O hospital justifica, ainda, que o denunciante "expôs" os colegas de profissão como forma de retaliação à unidade. 

    Unidade divulgou novo posicionamento nesta terça-feira (29), um dia após a publicação da matéria com a denúncia
    Unidade divulgou novo posicionamento nesta terça-feira (29), um dia após a publicação da matéria com a denúncia | Foto: Divulgação

    O Santa Júlia reconhece que, diferente dos outros setores, as farmácias não possuem local de descanso e que há local específico para tal.

    O setor de Recursos Humanos da empresa, na primeira apuração por parte da reportagem, alegou que havia um dormitório para colaboradores descansarem, porém não revelou mais detalhes sobre a localização e nem autorizou a reportagem a ter acesso.

    Em novo posicionamento, após a denúncia ser divulgada, a empresa informa que no 3º andar há um dormitório que pode ser utilizado pelos farmacêuticos. 

    "Insalubridade é característica normal em serviços hospitalares"

    A empresa voltou a destacar que não houve humilhações verbais por parte da diretoria a nenhum membro da farmácia e ressalta que o quadro de funcionários do setor é insalubre, por ser essa uma característica própria. "É uma característica de qualquer serviço hospitalar (ser insalubre) e, por isso, existem normas que avaliam continuadamente as práticas realizadas nos mais diversos setores". 

    Por fim, de acordo com a assessoria do hospital,  as informações contidas na matéria são "incoerentes".  " O profissional não teve o mínimo de sensatez e conhecimento sobre as atividades que ocorrem em uma farmácia".

    O jornalista esteve  na unidade hospitalar no dia 28/10/2019, no turno da manhã, onde conversou com a chefe do setor de Recursos Humanos. Na ocasião, todas as denúncias abordadas na matéria foram relatadas ao setor, que apresentou respostas sobre alguns questionamentos e outros não. 

    Boas práticas e revisão de condutas

     No posicionamento, enviado nesta terça-feira, a assessoria do Hospital Santa Júlia,  salienta que "toda e qualquer abordagem faz com que as ações da instituição sejam revisadas, bem como as condutas e normas, a fim de melhorarmos continuadamente e aprendermos com eventuais falhas de controle dos processos e até mesmo reforçarmos as boas práticas já implementadas". 





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