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    Risco de extinção


    Projeto usa métodos inovadores de proteção às tartarugas-da-amazônia

    Projeto está em desenvolvimento e pretende criar modelos para prever a desova e nascimento em massa

    A desova em massa facilita a ação de caçadores | Foto: WCS

    Manaus - As tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa) são ameaçadas há muito tempo, especialmente devido ao consumo ilegal. Ecólogos e pesquisadores brasileiros criaram um projeto para monitorar o processo de desova desses animais e tentar melhorar os métodos de proteção à espécie em uma das maiores áreas de desova no Amazonas, a Reserva Biológica do Abufari, localizado no município de Tapauá (distante 448 quilômetros de Manaus). A tartaruga-da-amazônia é protegida pela lei n° 5.197/67, de proteção à fauna, e pela lei nº 9.605/98, de proteção contra crimes ambientais, que proíbem a caça, comércio e consumo ilegal de animais silvestres no Brasil,  e mesmo assim, são consumidos principalmente na Amazônia brasileira.

    A caça descontrolada faz com que a população desta e de mais cinco espécies de tartarugas sejam afetadas. Pelo grupo de especialistas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) é uma espécie criticamente ameaçada, porém no Brasil ainda é classificada como quase ameaçada. Chegando a medir pouco mais de um metro, essa espécie de quelônio é a maior da América do Sul e está amplamente distribuída no Brasil e em mais nove países da região amazônica. De acordo com pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Brasil é o único país que ainda possui populações abundantes dessa espécie em sua extensão de ocorrência.

    As tartarugas migram durante a seca dos rios, em busca de praias para a desova
    As tartarugas migram durante a seca dos rios, em busca de praias para a desova | Foto: WCS

    Camila Ferrara, médica veterinária do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e ecóloga integrante da WCS Brasil (Associação de Conservação da Vida Silvestre), explica em que momento ocorre a captura das tartarugas e qual o interesse dos caçadores.

    “Durante o período de seca dos rios, as tartarugas começam a migrar, saem da floresta alagada e vão em busca das praias para desova. Em algumas áreas da Amazônia, como no Rio Purus que é a maior área de desova destes animais no Amazonas, a migração se dá em grandes grupos e as tartarugas são muito suscetíveis a captura porque é muito fácil. E eles são facilmente vendidos no comércio ilegal, as pessoas têm interesse tanto na carne quanto nos ovos”, explica a ecóloga.

    Durante o período de desova, as tartarugas-da-amazônia botam, em média, 100 ovos e o período de incubação dura de 45 a 55 dias. As tartarugas fêmeas geralmente são as maiores e carregam os ovos, por isso as mais procuradas. Além dessa espécie, as populações de tracajá (Podocnemis unifilis) e iaçá (P. sextuberculata) também sofrem com o tráfico.

    A desova em massa facilita a ação de caçadores
    A desova em massa facilita a ação de caçadores | Foto: WCS

    A WCS Brasil, em parceria com o ICMBio e com patrocínio da Fundação O Boticário, criou o projeto para tentar preservar a espécie e controlar a caça descontrolada. “Nós estamos desenvolvendo esse projeto para tentar melhorar as metodologias utilizadas para a proteção desses animais, por meio do uso de drones. Estamos usando os drones para entender o comportamento deles. Ao mesmo tempo gravamos esses animais embaixo da água, para entender o que eles estão falando, uma vez que sabemos que eles se comunicam”, explica Camila.

    A ecóloga conta ainda que o som que as tartarugas emitem para se comunicar muda de acordo com os momentos do comportamento reprodutivo, desde a migração até a desova e nascimento dos filhotes. Além de contar com a tecnologia, o projeto também utiliza dados de variáveis ambientais como a temperatura da água, o nível do rio e a temperatura do ar. A ideia é criar modelos para prever a desova e nascimento em massa e melhorar a proteção dessas áreas.

    O diretor da WCS Brasil e geógrafo com mestrado em Ecologia, Carlos Durigan, explica a importância do patrocínio da Fundação O Boticário, como uma importante fonte de apoio e uma das poucas existentes no Brasil quando se fala em apoio da iniciativa privada.

    “Este apoio para nossa iniciativa é de extrema importância e tem possibilitado um avanço positivo na geração de conhecimento científico para subsidiar ações voltadas à conservação da biodiversidade, justamente num momento de crise socioambiental, política e econômica, cenário que tem fragilizado as políticas públicas voltadas à conservação e ao desenvolvimento sustentável na Amazônia”, finaliza.

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