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    Comemoração


    Dia do Garçom: profissionais vivem de perto impactos da pandemia

    Data e os profissionais podem até passar despercebidos, mas eles têm se mostrado de extrema importância na recuperação econômica da pandemia

    A categoria sentiu e muito a pandemia. Até junho, pelo menos 25 mil haviam sido demitidos de restaurantes e bares, em Manaus | Foto: Divulgação

    Manaus - Nesta terça, dia 11 de agosto, é comemorado o Dia do Garçom. E se antes da pandemia esses profissionais passavam mais despercebidos, em um contexto de coronavírus, ganharam muito mais importância. Na linha de frente do contato social - quase um crime nesses tempos -  eles precisaram se reinventar junto da economia mundial, não diferente em Manaus e em todo o Brasil.

    A categoria sentiu e muito a pandemia. Até junho, pelo menos 25 mil haviam sido demitidos de restaurantes e bares, em Manaus. A informação é da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel-AM). Relembre como o setor foi afetado aqui

    Fábio Cunha, diretor-presidente da Abrasel comenta, nesta data, as dificuldades enfrentadas pelos profissionais no auge da crise. “Os garçons merecem toda esta homenagem que é feita nesta data. Eles enfrentam muitos desafios, mesmo antes da pandemia. Ele atende as mais variadas classes sociais, os mais diversos tipos de pessoas, personalidades, então o trabalho é um desafio muito grande porque ele tem que saber atender as pessoas de forma diferente, para que elas sintam que receberam a devida atenção", afirma ele.

    Cunha cita também os novos desafios advindos com a pandemia. Para ele, tudo faz parte da recuperação econômica.

    Fabio Cunha, presidente da Abrasel
    Fabio Cunha, presidente da Abrasel | Foto: Divulgação

    "Na pandemia o desafio é maior, porque o garçom tem os equipamentos de segurança, tem que falar com a voz mais postada por causa da máscara, dentre outros. Além disso, tem o medo de perder o emprego, como muitos perderam. Alguns até hoje aguardam a economia ser retomada", ressalta o representante do setor.

    Ainda sobre o lado econômico, o diretor da Abrasel explica que os bares e restaurantes estão retornando, porém, ainda com uma baixa movimentação. "O retorno tem sido lento, ainda. Esse é outro desafio porque temos protocolos e certas restrições, como não aglomeração e horário reduzido", afirma ele. 

    Antes e após o auge da pandemia

    Embora Manaus esteja se recuperando economicamente, o coronavírus ainda atinge a cidade e o Amazonas. Mesmo assim, já é possível desenhar um 'antes' e 'depois' do pior momento da pandemia na Capital. 

    Vitor, 21, é um garçom que trabalha no Cat Pub, um bar em Manaus. Ele conta que esta é sua primeira experiência como atendente, assim como também é seu primeiro emprego. Quando o jovem estava com apenas um mês no trabalho, chegou a pandemia.

    Vítor é garçom em um bar de Manaus
    Vítor é garçom em um bar de Manaus | Foto: Divulgação

    "Eu ia fazer um mês, mas aí ficamos parados por conta do vírus e retomamos agora, recentemente. Se não fosse a pandemia, eu estaria com seis meses no trabalho", afirma Vitor. 

    Apesar de pouco tempo como garçom, ele teve a experiência do antes e depois da quarentena, e sobre isso tem observações quanto às principais mudanças causadas pela pandemia.

    "O que mais me impactou foi o cuidado redobrado com o espaço, com o cliente, comigo mesmo e meus equipamentos de segurança. Nós não estávamos acostumados a usar luva, máscara, viseira e  álcool em gel toda hora. E o Cat Pub é um bar que costumava ser aglomerado antes da pandemia, mas agora cada cliente tem sua mesa e esse é o espaço que pode ficar. Penso que essa atenção a esses novos pontos foi o impacto maior", comenta o atendente.

    Impactos econômicos

    Vitor lembra as dificuldades que passou do ponto de vista econômico. Ele precisou até mesmo mudar de cidade pela falta de renda.

    "Acho que a pior parte da pandemia com o trabalho foi essa questão econômica, porque como era meu primeiro trabalho, então fiquei totalmente sem renda, porque eu dependia dela. Foi um impacto porque já estava criando planos com o dinheiro e de cara veio a pandemia e o início de um sonho deu tudo errado. Foi quando eu voltei para Manicoré, o município de onde eu sou. Fiquei por lá. Essa foi a parte mais ruim", comenta ele. 

    Experiência molda caráter

    Uma frase que costuma ser compartilhada nas redes sociais é a de que 'todo mundo precisa um dia trabalhar com atendimento ao público para aprender a respeitar esses profissionais'. Guilherme Cardoso, 19, estudante, concorda com isso. 

    "Trabalhei como garçom quando tinha 16 anos. Era um lanche que servia sanduíches e outras comidas rápidas no meu bairro. Fiquei lá um ano e posso garantir que me mudou muito. Eu percebi que a gente precisa tratar os garçons com respeito, porque, enquanto garçons, estamos trabalhando e é muito chato ser tratado mal. Quando não dão nem boa noite. Você tem que lembrar que é um ser humano trabalhador ali, e isso eu aprendi sendo garçom", comenta ele.

    Guilherme comenta que até seu comportamento enquanto cliente mudou quando vai a qualquer lugar. O estudante passou até mesmo a ajudar os garçons.

    "Todo lugar que eu vou, eu arrumo logo a mesa quando termino de comer, seja restaurante ou um lanche. Eu faço isso porque sei que dá trabalho. Evito sujar a mesa também, porque é bem ruim e difícil ficar sempre passando pano, lavando tudo e até trocando os panos das mesas quando alguém suja muito", afirma o jovem.

    Acima de tudo, ele diz que aprendeu a respeitar os garçons sempre, mas também qualquer pessoa que trabalhe com atendimento ao público.

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