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    Taxa Selic


    Redução da taxa básica de juros: entenda como afeta seu dia a dia

    Com juros em queda e inflação controlada, momento é bom para renegociar dívidas, dizem especialistas

    Taxa é comemorada por especialistas como caminho para recuperação da economia. | Foto: Pixabay

     Manaus - O empresário, o consumidor e o correntista amazonense já podem contar com taxas menores de financiamento empresarial, empréstimo pessoal e cheque especial. O momento é até propício para a renegociação de dívidas e até abertura de novos negócios. Tudo isso porque, na última quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a linha de corte e reduziu a Selic, de 6% para 5,5%. A taxa básica de juros com isso atingiu o seu menor valor histórico.

    Apesar do bom sinal, especialistas afirmam que a medida, por outro lado, gera queda da rentabilidade de grande parte dos investimentos. O educador financeiro Reinaldo Domingos, dono do canal 'Dinheiro à Vista', explica que para quem realmente aplica dinheiro, a medida não é favorável. Já para quem tem dívidas, por exemplo, juros, cheque especial e casa própria financiada, será impactado de forma positiva. 

    "Toda vez que o governo toma uma decisão de reduzir a taxa de juros Selic, ele está contribuindo para que a produtividade volte a reagir, para que negócios de forma geral (comércio, indústria, serviços) retomem o caminho para o desenvolvimento", ressalta Reinaldo Domingos. Quanto menor forem as taxas nos produtos, menor será o pagamento de juros e maior será a expectativa de compra e desenvolvimento do Brasil.

    O presidente da Federação do Comércio do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, afirma que a redução da taxa representa um passo importante na recuperação da economia. Ele lembra que hoje o mercado brasileiro apresenta baixo crescimento e alto número de desemprego.

    "As taxas dos bancos deixaram mais de 60% das famílias em inadimplência. Os consumidores bloqueados e negativados não podem comprar, pois pagam uma taxa de juros absurda que passa de 300% ao ano. Quando as empresas param de vender, aumenta o número de desempregados". Para Aderson, os amazonenses têm muito motivos para festejar, pois a redução da taxa Selic não autoriza que os bancos continuem a cobrar taxas abusivas. 

    O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou 13 milhões de pessoas desempregadas, o equivalente a quase um quarto da população ativa. Além disso, 50 milhões de pessoas trabalham informalmente. "Dentro de taxas civilizadas, as vendas no varejo vêm se recuperando no sul do país a tendência é que chegue por aqui também", diz Aderson.  

    A previsão é que os últimos meses deste ano sejam positivos com a Black Friday, o Dia das Crianças e o Natal. "Nós acreditamos que, medidas como essas mostram sensibilidade do governo e irão gerar emprego e renda, diminuindo a burocracia e facilitando a atividade econômica", avalia Aderson. 

    Ralph Assayag também vê este momento econômico de forma positiva.
    Ralph Assayag também vê este momento econômico de forma positiva. | Foto: Arquivo Em Tempo

    O presidente da Câmara Dirigente dos Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag também vê este novo momento econômico de forma positiva. "É muito bem-vinda e inteligente a medida do Banco Central de reduzir esta taxa. Eu acredito que é até possível que baixem mais um pouquinho. Quando a taxa reduz, automaticamente os juros caem também e o produto fica mais barato", afirma.

    Ralph espera que a taxa chegue até 4,5%. "Quem só faz aplicação não vai ter bom resultado. Os Estados Unidos também reduziram a sua taxa, então não vale a pena investir o dinheiro fora do país. O que vai valer a pena é investir em produção, assim a gente consegue aumentar as vendas e as pessoas compram com juros mais baratos. A economia volta a crescer ", observa. 

    Taxas de financiamento empresarial, empréstimo pessoal e cheque especial também devem diminuir.
    Taxas de financiamento empresarial, empréstimo pessoal e cheque especial também devem diminuir. | Foto: Pixabay

    Como consumidor, o estudante Rafael Dias, 24, diz que vê com bons olhos a redução da Selic. “Espero um aquecimento na economia, principalmente motivado por taxas de juros dos bancos mais atrativas e crédito mais acessível. Apesar de isso causar impacto na inflação, acredito que o aumento de preços não será tão alto", avalia.

    A turismóloga Luana Picanço que começa a se programar para fazer investimentos nos títulos públicos negociados no Tesouro Direto diz que para ela, apesar do efeito sobre as aplicações, ela ainda assim vai fazer. "A taxa de rendimento diminuiu, mas ainda vale mais a pena investir do que deixar na poupança", diz.

    A publicitária Morgana Falcón também pensa como Luana. "Claro que dá uma desanimada, mas depende muito da situação, não é porque a taxa caiu que você não vai mais investir lá. O Tesouro ainda rende, mais que a poupança", diz. 

    No caminho oposto, o administrador Rafael Laranjeira pretende tirar seus investimentos do Tesouro. "O tesouro nacional é uma modalidade que é atrativa no Brasil, porém nos países desenvolvidos onde as taxas de juros são bem menores que a do Brasil, não é assim. A taxa de juros do Brasil já foi uma das maiores que já existiu, de uns anos para cá ela vem baixando meteoricamente, então o tesouro nacional que vende os seus títulos públicos parou de ser atrativo", afirma.

    Quem investe no Tesouro Direto é, em geral, um investidor de baixo risco que visa ter uma rentabilidade maior do que a poupança. "Acredito que as pessoas da poupança vão ter ainda mais receio de investir, em compensação, quando a taxa de juros diminui aí você tem um 'boom' das empresas e as pessoas que têm dinheiro guardado vão investir em abrir empresas ou em ações da bolsa", diz o administrador. 

    Dica de especialista 

    "De forma geral, a redução da taxa Selic é sim negativa para o investidor, principalmente para investimentos em renda fixa. Com a nova taxa Selic, em 5,5% e uma inflação de 3,75%, o que sobra de juros real é muito pouco. Fora que ainda tem o desconto de imposto de renda", diz o educador financeiro e especialista investimentos, Enyo Oliveira. 

    Para Oliveira, a solução é procurar conhecer novos tipos de investimentos. Sair um pouco de renda fixa para investir em renda variável. "Nossa bolsa de valores possui diversos tipos de investimentos tais como Fundo de Investimento Imobiliário (FII), Ações, Debêntures, Fundos Multi Mercados, Certificado de Operações Estruturadas (COE), Ouro, Dólar e etc. Agora, claro que tudo depende do tipo de investidor que você é", afirma.

    Quem já tem uma reserva de emergência investida em renda fixa pode pegar 10% e investir em renda variável. "Conforme for se aprimorando e conhecendo como funciona aí sim pode aumentar aos poucos os investimentos, mas sempre tenha investimentos em renda fixa caso seu perfil seja conservador", aconselha o especialista. 

    Mesmo com a redução da taxa, Enyo indica que quem nunca investiu continue a apostar na renda fixa e começar pelos títulos públicos. "Vai render pouco, mas pelo menos não perderá para a inflação". O importante é sempre investir e estudar o mercado.

    Vantagens 

    A DSOP Educação Financeira, por Reinaldo Domingos, aponta como principais vantagens as seguintes:

    Revisão das dívidas - o consumidor que tem dívidas de médio e longo prazo, como financiamentos de carro ou casa, pode buscar a reparação nos contratos, que foram firmados sobre juros maiores. Esse é um bom momento para fazer a portabilidade de dívidas e pagar menos juros. 

    Incentivo ao consumo - a queda da Selic incentiva o consumo, pois torna mais barata para o consumidor a tomada de empréstimos, como financiamentos, cartão de crédito, cheque especial etc. 

    Fôlego na economia - a produção e o crescimento das empresas também são incentivados, tanto pelo estímulo ao consumo, quanto pela queda de juros para a tomada de créditos, que favorece o pagamento das dívidas. 

    Desvantagem

     A maior e principal desvantagem é: 

    Queda nos investimentos - o ponto negativo é que grande parte dos investimentos em renda fixa têm seu rendimento atrelados à Selic, logo todos passarão a render menos - com destaque negativo para a poupança.

    Os investidores precisarão estudar mais e fazer uma análise aprofundada antes de investir em outros fundos. Vários fatores devem ser avaliados, como impostos e taxas, e o principal critério deve ser o prazo para a realização do sonho: curto, médio ou longo.

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