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    Indústria


    Vídeo: Indústria do AM tem melhor desempenho do país em agosto

    Proporcionalmente a indústria amazonense foi melhor que a dos Estados do Pará e de São Paulo

    Para o Cieam, o resultado reafirma importância e a relevância do Polo Industrial não só para o Amazonas, mas também para o Brasil | Foto: Divulgação/Suframa

    Manaus - produção industrial amazonense, no mês de agosto, cresceu 7,8% em relação ao mês de julho. O desempenho colocou o Estado do Amazonas na primeira posição entre as outras unidades da federação, seguido pelo Pará (6,8%) e São Paulo (2,6%). O pior desempenho ficou por conta do Rio Grande do Sul com queda de 3,4%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta terça-feira (8).

    O desempenho da indústria amazonense no acumulado do ano, de janeiro a agosto 2019, registrou alta de 1,0% e colocou o Amazonas na sexta posição em relação às outras unidades da federação. O pior desempenho ficou por conta do Espírito Santo com -12,8%.

    Mesmo com os resultados positivos, a indústria já sente o desfalque do setor de bebidas (xaropes e refrigerantes), que apresentou desempenho negativo com um recuo de 14,6%. Para a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), o resultado é reflexo da saída da gigante americana PepsiCo e também um retrato da má fase de exportações do setor, que tem seus principais clientes, Venezuela e Argentina, “quebrados” economicamente.

    “Se o setor de bebidas mantivesse o padrão do ano passado, esse aumento seria bem maior, poderíamos chegar até 9%. O setor de bebida puxou o índice para baixo”, disse um especialista da Fieam. O que compensou essa baixa foi o crescimento de setores com maiores demandas como o de duas rodas e eletroeletrônicos.

    Para o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o resultado reafirma a força, a importância e a relevância do Polo Industrial não só para o Amazonas como para o Brasil. Wilson estima que a arrecadação de tributos deste ano irá superar a do ano passado, quando o Polo devolveu à União mais de R$ 10 bilhões. “Este ano o resultado comparativo será ainda melhor”, afirmou.

    O economista e vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo dos Santos, afirma que estamos vivendo um cenário com expectativas melhores, mas que ainda tem questões em aberto. “Eu não costumo dizer que é um crescimento, mas é uma recuperação”, diz. A ociosidade da indústria ainda é preocupante. “A capacidade das empresas permanece grande, com relação ao que já fomos”, explica Nelson.

    Empregos

    Em termos de faturamento, certamente o resultado do Polo Industrial foi positivo. “Isso se dá por conta do valor agregado dos produtos que temos hoje. Nós temos como tecnologia de manufatura com aquilo que é mais moderno no mundo e produzimos produtos de última geração”, analisa o presidente do Cieam, Wilson Périco.

    Apesar disso, Wilson pondera a questão da empregabilidade. “A gente não consegue perceber o aumento na mesma linha com relação à geração de empregos, é por isso que é necessário encontrarmos alternativas para o nosso estado, para gerarmos empregos”, disse. Para ele, está mais que comprovado que não existe um modelo que substitua o da Zona Franca. Pode-se somar a isso, mas não substituí-lo.

    O vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, concorda. “Mesmo com desempenho positivo e perspectivas melhores, a mão de obra das empresas ainda está pela metade”, complementou. Ainda assim, é indiscutível que o resultado positivo já se mostre na produção, consumo e arrecadação.

    Nelson Azevedo comentou também a posição do ministro da economia, Paulo Guedes. “Quando ele faz essas declarações negativas, as multinacionais ficam duvidando se vale a pena investir. Todo mundo bota o pé no freio”, diz.

    O titular da Fieam acredita que ele, como ministro, não deveria tentar “degolar” um projeto que deu certo e que traz grandes resultados para o país, inclusive pela manutenção da floresta em pé, uma vez que este modelo não dá tantas brechas para o crescimento extrativista.

    Subsetores

    Algumas atividades da indústria local tiveram bom resultado em agosto e contribuíram para esse desempenho da indústria amazonense: fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis como o gás natural (181%); máquinas e equipamento (44,1%); outros equipamentos de transportes como motocicletas e suas peças (10,2%); fabricação de equipamentos de informática e eletrônicos (8,3%); fabricação de borracha e plástico (4,1%).

    Na contramão do resultado positivo, muitas outras caíram acima dos dois dígitos como os subsetores de impressão e reprodução de gravações (-23,5%); bebidas (-14,6%); fabricação de máquinas e equipamentos e materiais elétricos (-11,4%); fabricação de produtos de metal (-7,3%); e a indústria extrativa (-1,2%).

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    Assista a reportagem | Autor: Alex Costa/ TV Em Tempo
     


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