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    Zona Franca


    Zona Franca precisa se reinventar para sobreviver à reforma tributária

    Especialistas apontam que caminho é dialogar com os oponentes ao modelo, com base em estudos e pesquisas que sustentam o PIM

    Representantes da indústria amazonense debatem futuro do modelo, na reunião do Cieam | Foto: Divulgação

    Manaus - “Tudo o que é bom para o Brasil, é ruim para a Zona Franca de Manaus”. Esta é uma afirmação do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) que resume de uma maneira simples a atual situação do Polo Industrial de Manaus. O Brasil está prestes a estabelecer uma reforma tributária que de maneira alguma beneficia a Zona Franca de Manaus (ZFM), pelo contrário, por estar sob uma estrutura de incentivo tributária muito sensível, precisa pensar em alternativas para se sustentar independente dos incentivos fiscais.

    Neste contexto, o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) realizou no fim da tarde desta quarta-feira (12), a sua 241ª Reunião Ordinária, a fim de apresentar o cenário atual da ZFM e as estratégias para que o modelo sobreviva à reforma tributária. Na ocasião, o economista e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcio Holland, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, apresentou os primeiros resultados do trabalho "Zona Franca de Manaus - Impactos, efetividade e oportunidades". 

    "A Reforma Tributária está sendo feita por quem não conhece o Brasil. Não podemos permitir que ela inviabilize um modelo vencedor que gera é que mantém essa floresta em pé, bem como todos os valores implementares que fazem com que a população sobreviva de maneira digna e honesta", afirmou o presidente do Conselho Superior do Centro da Indústria do Estado do Amazonas, Luiz Augusto Rocha. 

    Conselho superior do Cieam diz que a reforma tributária está sendo feita por quem não conhece o Brasil
    Conselho superior do Cieam diz que a reforma tributária está sendo feita por quem não conhece o Brasil | Foto: Divulgação

    Aumentar a interlocução

    Com base nos resultados obtidos nesta pesquisa, a nova tática adotada pelos defensores do modelo Zona Franca será dialogar com os que se opõem ao PIM. "Não podemos permitir que quem não conhece o Brasil tome decisões sobre o Brasil. O nosso trabalho é dar conhecimento do Polo Industrial de Manaus para o Brasil", reforçou o presidente. 

    A classe reconhece que este é um momento difícil para o Estado, mas que é preciso aumentar a interlocução. "Precisamos falar de maneira técnica para os 'não convertidos'. Precisamos falar para quem não nos conhece”, disse o presidente. 

    Com a queda de incentivos destinados à ZFM, muitas empresas internacionais podem sair do Brasil. Além da perda por parte dos trabalhadores destas indústrias, ainda é preciso calcular em quanto e em que área o país inteiro sai prejudicado. 

    O Fundo de Desenvolvimento Regional é uma grande alternativa para este contexto. No entanto, a pesquisa apontou que a ZFM ainda padece por falta de transparência, uma vez que temos um modelo há 50 anos e nunca foram apresentados indicadores deste Fundo.

    O fato inegável é que a ZFM precisa ser autossuficiente nos próximos anos.  "Na situação em que a gente está vivendo tudo é possível, inclusive nada", disse o pesquisador. 

    Pesquisa 

    "Vocês estão pagando o preço por não terem feito este estudo há mais tempo", disse em desabafo o pesquisador da FGV.  Os resultados apresentados no trabalho "Zona Franca de Manaus - Impactos, efetividade e oportunidades", são uma largada para que seja realizado um estudo mais científico e aprofundado. 

    Entre os indicadores que surpreenderam está o número de geração de empregos. Atualmente, a ZFM emprega direta e indiretamente cerca de 500 mil pessoas. Outro dado interessante é que 73% dos trabalhadores da ZFM tem o Ensino Médio completo,  a nível Brasil a média é de 50%. O PIM também tem o terceiro maior número de profissionais com Ensino Superior completo. 

    Márcio afirma que dentro da Reforma Tributária o caminho do desenvolvimento regional é a melhor alternativa. Existem vários modelos de negócio dentro dos mais de 450 projetos do Polo Industrial de Manaus. "O mais importante é desenvolver novos polos econômicos, especialmente no interior do Estado, que sejam autossustentáveis", afirmou Holland. Para o pesquisar, é preciso reavaliar e pensar além da questão fabril. 

    Quem acha que somente o Amazonas se encontra neste impasse, se engana. A pergunta 'qual vai ser a industria daqui a 40 anos?', é a mesma para todo o Brasil. Pois aos moldes que segue a Reforma Tributária, todos os extremos brasileiros terão dificuldade em desenvolver-se economicamente, uma vez que as políticas de desenvolvimento regional saíram de cena por anos e agora precisam ser retomadas. 

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