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    Sexo


    Homens sentem mais excitação sexual do que mulheres?

    Especialistas respondem a curiosidade e ainda dão dicas para melhorar a vida sexual feminina

    Cultura machista e informações distorcidas são alguns dos fatores que impedem a satisfação sexual feminina. | Foto: Divulgação

    Manaus - Diferente do que muita gente pensa, a excitação sexual não depende do gênero nem da orientação sexual. É o que afirma o estudo do Instituto Max Planck de Cibernética Biológica, de Tübingen, cidade ao sudoeste da Alemanha, publicado pela revista americana "Proceedings of the National Academy of Sciences". 

    De acordo com os resultados do trabalho científico, homens e mulheres experimentam o mesmo grau de excitação sexual diante de imagens eróticas. Sendo assim, não há diferenças em nível neurobiológico neste processo.

    Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores analisaram dados de 61 levantamentos realizados anteriormente, totalizando 1,8 mil pessoas avaliadas por gênero e orientação sexual, assim como diferentes nacionalidades. Os resultados mostram que não há diferenças na resposta cerebral aos estímulos visuais de caráter sexual.

    "O homem desde a era primitiva traz o instinto da procriação, ele transa para satisfazer emoções primárias (instintivas) enquanto a mulher cuidava dos filhos e das relações em comunidade. Essa herança, cientificamente, é passada pela genética, então dizer que o homem tem mais prazer que a mulher é mito", explica a psicóloga Lane Campos, responsável pelos projetos Sexualidade Descomplicada e Mulher Protagonista, este voltado para área de coaching para mulheres. 

    A psicóloga explica para a mulher o sexo envolve vínculo afetivo. O universo sexual feminino requer todo um roteiro de estímulos que demandam autoconhecimento, permissão e disposição. 

    Devido à cultura machista, à religião, às informações distorcidas e outros fatores, a mulher se permite satisfazer menos ao desejo sexual. "Até essa mulher se sentir à vontade com a libido é necessário romper muitos mitos e tabus impostos a ela durante uma vida toda", explica. Falar de sexo tem que ser algo natural, mas para a mulher ainda é um tabu. 

    Aceitação e autoconhecimento

    Lane Campos explica que a aceitação e autoconhecimento são os primeiros passos para a satisfação sexual. "Você  precisa aceitar seu corpo como ele é e entender que a partir dele você vai ter todo o prazer que deseja. Todos os recursos estão em você". 

    Esta transformação exige um encontro pessoal, um mergulho dentro de si para saber o que gosta, o que não gosta, o quer e o que não quer. " Tem gente que não mergulha nessa jornada porque tem medo do que vai encontrar", relata a especialista. "Você não precisa assumir um personagem, só precisa ser você". 

    Quem são as mulheres que buscam o empoderamento sexual? 

    "As mulheres que buscam esse empoderamento são aquelas que sofrem, aquelas que por alguma situação na vida se colocaram na posição se serem coadjuvantes na vida de outras pessoas ou na sua própria vida", conta a psicóloga Lane Campos. 

    Lana viveu isso na pele. "Eu no auge dos meus 43 anos achava que a mulheres tinha que estar sempre à disposição para satisfazer o homem. Partindo de uma experiência muito pessoal, eu percebi que existem muitas mulheres nesta mesma situação". 

    Emancipação Sexual 

    Emancipação sexual é a autonomia do indivíduo em relação a vivência plena e segura de sua sexualidade, ou seja, é quando a pessoa passa a compreender que seus desejos e práticas sexuais não são errados somente porque a sociedade diz isso. "Atualmente, trabalhar com sexualidade é justamente transpor essa visão castradora do 'não pode' e perguntar 'por que não?' e assim promover a emancipação sexual", explica a psicóloga Neyla Siqueira da Silveira, que psicóloga há 14 anos e atua em escolas e instituições com a temática de sexualidade há cerca de cinco anos. 

    Neyla tem um perfil no Instagram (@amorsexoeafins)onde busca tratar a sexualidade de forma leve, bem humorada e direta, sempre com respeito e buscando promover a emancipação. 

    Ela também concorda que mesmo com toda a liberdade sexual conquistada nos últimos anos, as mulheres ainda têm resquícios fortes de imposições sociais e culturais acerca do prazer. "Muitas conquistas já foram alcançadas, é verdade, mas há sempre diversas cobranças, como a estética, o cheiro e a performance", conta Neyla. 

    Comunicação e sintonia entre o casal são o segredo para uma relação sexual saudável.
    Comunicação e sintonia entre o casal são o segredo para uma relação sexual saudável. | Foto: Divulgação

    Dicas

    A psicóloga Neyla Silveira separou algumas dicas para melhorar a vida sexual das leitoras do Entre Elas. Confira!

    1. Compreender que você é dona do seu prazer

    A mulher precisa se conhecer, saber o que gosta e o que não gosta. 

    2. Masturbação

    Conheça os pontos que o seu corpo reage e os tipos de toque que te apetecem, assim você terá autonomia para guiar seu parceiro ou parceira. 

    3. Investir em outros recursos

    Vale a pena tentar coisas novas como brinquedos eróticos e truques caseiros. A psicóloga indica esmalte gelado e colar de pérolas para estimulação do clitóris. 

    4. Ser aberto com seu parceiro

    A comunicação é essencial na hora do sexo. Afinal de contas, seu parceiro nem sempre vai adivinhar o que você espera na Hora H.

    5. Se propor a transpor os tabus

    Aquelas ideias antigas, passadas de geração para geração são as grandes razões para que as mulheres se subjugassem, inclusive dentro do casamento, no ato sexual. A dica da especialista é se aventurar no desconhecido para novas experiências. 

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