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    Vendedores Ambulantes


    Mercado paralelo: ambulantes 'invadem' ruas do Centrão de Manaus

    Mesmo contrariando a Lei, ambulantes ocupam de maneira irregular as ruas e calçadas próximas ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa e Feira da Manaus Moderna para conseguir sustentar suas famílias

    Vendedores ambulantes ocupam de maneira irregular as ruas e calçadas das proximidades do Mercado Adolpho Lisboa
    Vendedores ambulantes ocupam de maneira irregular as ruas e calçadas das proximidades do Mercado Adolpho Lisboa | Foto: Leonardo Mota
     

    Manaus – Ao caminhar pelas ruas do Centro de Manaus, a presença dos vendedores ambulantes é logo notada por pedestres e carros que tentam trafegar pelos arredores da Feira da Manaus Moderna e do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, na região mais antiga da cidade. Mesmo infringindo a Lei, os comerciantes irregulares de frutas e verduras afirmam que este é o único meio para sustentar suas famílias.

    Esta semana, uma imagem com a rua Barão de São Domingos tomada por ambulantes ganhou repercussão nas redes sociais. Muitos internautas questionaram a legalidade da ação e informaram que os caminhões que descarregam mercadorias no local têm dificuldade de estacionar em horário comercial.

    A foto com o número alto de ambulantes entre o mercado e a feira da Manaus Moderna ganhou repercussão
    A foto com o número alto de ambulantes entre o mercado e a feira da Manaus Moderna ganhou repercussão | Foto: divulgação
     

    De acordo com a Lei Municipal n° 123 de 2004, é proibida a prática de comércio ambulante a uma distância menor que 200 metros de feiras e mercados. Mesmo com orientações e notificações dos fiscais, os vendedores insistem em ocupar o espaço público destinado ao tráfego de pedestres ou trânsito de carros.

    O que parece ser uma atitude para contrariar a determinação da Prefeitura de Manaus, é, na maioria dos casos, a única maneira que os comerciantes encontraram de conseguir renda para sustentar suas famílias. Este é o caso do vendedor ambulante, Carlinhos Holanda, de 42 anos, que começou a trabalhar em frente ao Mercado Adolpho Lisboa após ficar desempregado.

    Com sete filhos, ele e a mulher Ingrid, todos os dias, empurram um carrinho de supermercado para vender limão para quem sai, principalmente, com peixes regionais adquiridos dentro do mercado.

    “Eu vim trabalhar aqui porque era melhor que ficar desempregado. A prefeitura ia disponibilizar espaços para os ambulantes de verdura e frutas em outro local, mas lá não dá nenhum cliente. Aqui nós fazemos a nossa renda e conseguimos tirar mais dinheiro. A única parte ruim é que esse trabalho não é de carteira assinada e, se eu ficar doente, preciso ter uma reserva”, afirma Carlinhos.

    Os vendedores atuam vendendo frutas e verduras para sustentar suas famílias
    Os vendedores atuam vendendo frutas e verduras para sustentar suas famílias | Foto: Leonardo Mota
     

    Segundo Ingrid, a maior dificuldade de se trabalhar como vendedor irregular no Centro é a insegurança por ser mulher. 

    “As pessoas pensam que a gente fica aqui atrapalhando porque a gente quer. Às vezes, quando os fiscais vêm, todos ficam amontoados em um lugar e depois voltamos. É daqui que a gente tira o sustento para nossos filhos. Eu não quero que eles fiquem aqui debaixo do sol e chuva. Quero que eles estudem para não precisar ficar aqui. Nunca faltou alimento em casa graças às vendas que fazemos aqui no Centro, mas não é a vida que eu quero para eles”, comenta a vendedora.

    Ingrid trabalha com seu marido na venda de limões em frente ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa
    Ingrid trabalha com seu marido na venda de limões em frente ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa | Foto: Leonardo Mota
     

    Dificuldade

    Se para alguns o trabalho como vendedor irregular foi a única saída para conseguir sustentar a família, para Djalma Camarão, de 58 anos, foi uma escolha. Há quase 30 anos trabalhando como vendedor ambulante em frente ao Mercado Adolpho Lisboa, ele conta que poderia voltar a trabalhar no Distrito Industrial, mas a renda da rua é muito superior ao que pagam no Polo Industrial de Manaus (PIM).

    Djalma é um dos muitos vendedores ambulantes que trabalham de maneira improvisada. Ele vende frutas e verduras em várias partes da cidade. 

    “Eu trabalhava antes com embarcação e viajava por todo o Amazonas. Depois fui para o Distrito Industrial. Eu até tive a chance de ir trabalhar de novo de carteira assinada, mas aqui eu ganho mais. Claro que depende do movimento. Se me tirassem daqui, eu volto porque amo o meu trabalho”.

    O vendedor ambulante Djalma Camarão, apesar das dificuldades,  ama ser um ambulante
    O vendedor ambulante Djalma Camarão, apesar das dificuldades, ama ser um ambulante | Foto: Leonardo Mota
     

    Questionado sobre a ação de fiscais da Prefeitura, Djalma afirma que hoje eles não são expulsos como antigamente.

    “Hoje, a fiscalização passa e pede para gente dar ‘uma volta’ e depois voltar, mas antes a fiscalização chegava e nós tínhamos que sair às pressas para as mercadorias não serem levadas. Era uma humilhação”, lamenta o vendedor.

    Fiscalização

    De acordo com a Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), hoje, 40 fiscais atuam na fiscalização de ambulantes irregulares na região do Centro. A medida de apreensão das mercadorias perecíveis só é realizada após notificação anterior aos vendedores.

    Caso eles permaneçam no espaço, a mercadoria é apreendida e, se estiver própria para o consumo, é doada imediatamente para instituições de caridade. 

    Preconceito

    Já o haitiano Joseph Henry, de 32 anos, que improvisou com um carrinho de mão a venda de meias, conta que por ele ser estrangeiro, muitas pessoas preferem não comprar com ele.

    Região do entorno do Mercado possui vários vendedores ambulantes estrangeiros
    Região do entorno do Mercado possui vários vendedores ambulantes estrangeiros | Foto: Leonardo Mota
     

    “Eu estou aqui há dois anos, mas as pessoas não se aproximam porque tem preconceito com o imigrante. Eu não vendo muito por isso. Eu vim para arrumar emprego e ajudar minha família”, afirma o vendedor estrangeiro.

    Pedestres e lojistas

    Para uma pedestre que não quis se identificar, a presença dos ambulantes no Centro da cidade incomoda bastante a passagem de quem transita pelo entorno da Manaus Moderna.

    “Nessa parte aqui do mercado (Adolpho Lisboa) eles ficam na rua e até que não atrapalham muito a passagem dos pedestres. Mas fica difícil para os carros e caminhões que trafegam no local. Em em outras partes do Centro é bem pior porque eles impedem a passagem pela calçada mesmo. Alguns se acham no direito de ocupar a via pública”, afirma.

    Ambulantes ficam muito próximo do principal mercado da cidade
    Ambulantes ficam muito próximo do principal mercado da cidade | Foto: Leonardo Mota
     

    Os lojistas regularizados contam que a presença dos vendedores ambulantes em frente às lojas não incomoda o ritmo das vendas, mas o maior problema, segundo a gerente de uma loja situada próxima ao Mercado Adolpho Lisboa, é a sujeira deixada em frente ao estabelecimento. 

    “Nós fizemos um acordo para eles não subirem na calçada e impedirem que o cliente entre na loja. Eu sempre falo que assim como eles querem trabalhar, nós também queremos o mesmo. Eles respeitam essa parte, mas deixam tudo sujo aqui na frente”, afirma a gerente da loja que não quis se identificar.

    Prefeitura

    Alguns ocupam a calçadas e outros preferem a rua
    Alguns ocupam a calçadas e outros preferem a rua | Foto:
     

    Segundo a Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), não é possível contabilizar o número de vendedores ambulantes que atuam na feira da Manaus Moderna e Mercado Adolpho Lisboa. O órgão informou que esses comerciantes são invasores e não ficam fixos em um lugar, por isso a contagem oficial fica inviável de ser feita.

    De acordo com o órgão, ações de reordenamento e retirada são feitas, periodicamente, naquela área, mas, passada a ação, a maioria retorna. Assim como outros chegam para trabalhar nas proximidades da feira. 

    Questionados sobre o grande número de estrangeiros que atua de forma irregular nas proximidades da feira e do mercado, a Semacc informou que essas pessoas estão sendo gradativamente realocadas para as Feiras nos bairros de Manaus.

    Pauta e edição: Bruna Souza

    Veja reportagem da TV Em Tempo:

    Veja reportagem | Autor: Alex Costa/TV Em Tempo
     

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