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    ARTIGO


    A onda machista que mancha um dos esportes mais aclamados no mundo

    Apesar das inúmeras campanhas no combate ao preconceito que os times pregam, o que muitas vezes é visto em campo são gritos homofóbicos e preconceituosos da torcida contra a sexualidade de homens e mulheres

    Clubes iniciaram a luta para acabar com a homofobia dentro do estádio
    Clubes iniciaram a luta para acabar com a homofobia dentro do estádio | Foto: Divulgação
     

    Estamos em 2019 e ainda não conseguimos desligar essa onda machista que impregna o futebol por completo. Mas, há esperanças. Baseados na falácia do ''Futebol Raiz'' para esconder seus preconceitos, muitos ainda se valem disso para manter o machismo altamente presente. Desde o grito de ''Bicha'' até à exclusão do número 24 de seus elencos, pequenas atitudes seguem tendo um efeito imenso dentro do mundo esportivo.

    Número 24 esse que desapareceu dos times da primeira divisão do campeonato brasileiro: Internacional, Vasco, São Paulo, Corinthians (que foi do 1 ao 23, sem pular ninguém. E adivinhem qual foi o primeiro a ser pulado?), Goiás, Cruzeiro e Flamengo, só na Série A, foram os elencos que não tiveram o número em suas apresentações oficiais;

    Na Copa SP desse ano, o Vasco fez denúncias acerca de gritos homofóbicos ao goleiro Alexsander, no jogo contra o Taubaté. Curiosamente, enquanto escrevia esse texto, um vídeo do atleta Fellipe Bastos pipocava nas redes sociais, com o mesmo canto a plenos pulmões o cântico ''time de viado'', em uma tentativa de denegrir a imagem dos jogadores do Fluminense baseada puramente em plena homofobia.

    É curioso pensar também em quanto o futebol ''oprime'' alguns jogadores pelo medo da reação de suas torcidas. Ou vocês acham que um atleta homossexual seria cobrado da mesma maneira que um heterossexual? Queria poder pensar assim. E, nesse ponto, a Premier League dá um show. Nos últimos três anos, ela realiza entre os dias 30 de novembro e 5 de dezembro e faz parte da "Rainbow Laces", que promove a inclusão de homossexuais no esporte.

    Campanha da Premier League luta contra a homofobia em seus gramados
    Campanha da Premier League luta contra a homofobia em seus gramados | Foto: Divulgação
     

    Na ação, as 20 equipes participantes da competição vão demonstrar apoio dentro de campo à comunidade LGBT. Todos os jogos da competição vão contar com placas de LED e telões destacando a campanha. O logotipo da Premier League vai aparecer com as cores do arco-íris. Além disso, as partidas terão bandeiras e bolas personalizadas. As braçadeiras coloridas ficarão disponíveis para o capitão de cada equipe.

    Para Giroud, campeão mundial, ele não crê em atletas ''assumidos''' dentro do futebol. “É impossível se declarar homossexual no futebol'', disse ele, logo após comentar sobre o caso do jogador alemão Thomas Hitzlsperger. “A declaração de Hitzlsperger foi muito emocionante, mas foi aí que disse para mim mesmo que era impossível alguém se declarar homossexual no futebol'', complementou.

    Inúmeros jogadores começaram a campanha que preza pelo respeito no estádios
    Inúmeros jogadores começaram a campanha que preza pelo respeito no estádios | Foto: Divulgação
     

    Outro ponto são o quantos sofrem as mulheres em estádios. Desde os gritos de ''volta para a cozinha'', indo até os de piranha/vagabunda, só Deus sabe o quanto elas sofrem. E tudo isso acaba refletindo também nas mulheres que pensam em atuar na área, tais como as jornalistas. Parando para pensar na necessidade da constante afirmação que as mesmas passam, surge o questionamento do porquê de tudo isso?

    Esse cenário, pelo menos, começa a mudar, com cada vez mais excelentes profissionais ganhando espaço, ainda que a conta-gotas. O Brasil caminha, ainda que a passos curtíssimos, para resolver todo esse problema. E eu espero ver esse ''produto final'' pronto.

    No Brasil

    O futebol no local caminha a passos largos para resolver a questão. Seguindo a recomendação da FIFA, os árbitros podem encerrar as partidas se atos homofóbicos ocorrerem, punindo o clube responsável com o ato, como perda de pontos, de mando ou multas financeiras.

    Após o caso, o Vasco abriu campanha pelo fim da homofobia dos estádios
    Após o caso, o Vasco abriu campanha pelo fim da homofobia dos estádios | Foto: Divulgação
     

    O Vasco da Gama passou por isso recentemente. Após a torcida gritar "Time de viad*" aos São Paulinos, o árbitro paralisou a partida, com os atletas e treinadores pedindo a torcida para pararem, que foi  prontamente atendido.

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